segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Exemplo de CRÔNICA II

Tempero doce

Ele precisava mais do que um  buquê de flores para conquistá-la, João precisava impressionar. Ouviu conselhos de amigos, mas todos eram velhos e, às vezes, inúteis. Ele estava, de fato, apaixonado.
Uma semana antes do acontecimento, João encontrava-se a um ataque de nervos, pois, pelo que contavam algumas pessoas próximas a ela, Monique não era fácil. Ele acabara de sair do trabalho, quando sua cabeça deu um “click”; estava ele em frente a um restaurante francês. Pronto, já sabia como “ganhar” a moça.
Ela, uma empresária de sucesso, se atendia de objetividade, e João sabia disso. Talvez tenha sido esse o motivo de tão rápida iniciativa.
-Monique, tudo bem? – Disse ele, aflito.
- Tudo, sim... e com você? – Respondeu ela num tom nada entusiasmador.
- Queria te convidar pra jantar comigo... Sim, pois faz tanto tempo que nos conhecemos, ou melhor, não nos conhecemos... – Disse João.
- É um encontro? –  Monique, em tom intimidador.
- Desculpe, se não quiser, tud... – João, sendo interrompido por Monique.
- Aceito, sim! - objetiva como sempre, Monique respondeu.
Mal podia acreditar. Monique, aquela deusa, havia aceitado o convite. João tratou de tudo, ligou pra Monique pra confirmar o dia e local – em sua casa, e também do mais importante, o prato. Nessas horas, nada melhor que a internet pra salvar o cidadão. Ecláir de laranja. Sim, esse seria ideal – pelo menos para ele, acompanhado por um bom vinho.
No tão aguardado dia, João havia preparado tudo e estava disposto a começar com Monique uma vida nova, sem toda aquela euforia e promiscuidade de antes. A campainha soou e João rapidamente atendeu. Monique, linda como sempre, alagou os olhos de João com beleza e luxúria. Não, não com ela. Ele fora um cavalheiro, ela uma legítima dama. O bom vinho deu um toque especial à noite. Jantaram, conversaram e o inevitável aconteceu; sim, eles dormiram juntos.
Logo pela manhã, João acordou um pouco aturdido, sem encontrar acarinho e um corpo ao seu lado. Abriu os olhos, com dificuldade, e encontrou um bilhete ao lado da cama: “A noite foi ótima, mas acho melhor não nos precipitarmos. Seria interessante conhecermos outras pessoas, ver o que é melhor pra gente. Me desculpe, por favor! Beijos, Monique”.
Talvez o tempero não tenha lhe agradado. 

Juraci Santana

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