segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Entrevista com CAMILO AGGIO

Entrevista Camilo Aggio  
Portal R7  - Por Juraci Santana

Com a vitória de Barack Obama ao cargo de presidência dos Estados Unidos, ficou perceptível ao mundo inteiro o grande poder que a internet possui de mobilizar as pessoas a chegarem a um denominador comum, principalmente em um assunto que causa tantas controvérsias, que é a eleição a um cargo político.


















Nesse ano de 2010, com o Brasil em ritmo de eleições e seguindo o sucesso alcançado por Obama, os candidatos aos cargos políticos vêm usando demasiadamente o que os especialistas chamam de redes sociais online, dentre as quais estão o Facebook, My Space, Twitter, onde eles promovem os seus projetos e políticas públicas, o que de certa forma promovem certa proximidade com os seus eleitores.
Com vista nesse fenômeno e percebendo a precariedade nas bibliografias sobre esse assunto no Brasil, Camilo Aggio, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) é, hoje, um especialista em campanhas online  também pela UFBA. 

Leia abaixo os trechos da entrevista concedida aos alunos do curso de Comunicação Social, do 2° semestre, da Universidade do Sudoeste da Bahia - UESB

Luis Pedro- Quais as vantagens e as desvantagens do uso das novas tecnologias da comunicação na campanha eleitoral de 2010?
Camilo Aggio- Bom, eu não consigo enxergar exatamente desvantagens das campanhas online (utilização da internet por partidos e candidatos nas campanhas eleitorais) para sociedade civil, para o cidadão, na medida em que grande parte da utilização que se tem feito de recursos da internet por partidos e candidatos acaba por se promover um maior fluxo de informacional político relevante (projetos, posicionamentos).Não obstante disso também proporciona que os candidatos estejam mais responsáveis, transparentes, e assim estejam mais submetidos  ao crítico ou à critica do eleitor.Por exemplo , em 2008 não possuímos uma legislação virtual que impunha um anacronismo muito grande nas campanhas online do Brasil.Então, até 2008, os candidatos e partidos  só poderiam usar os websites; era vetada a utilização de qualquer outro recurso como por exemplo as redes sociais online como o Facebook, Orkut, Twitter e o MY Space, etc. Então isso impunha aos candidatos uma restrição muito grande no alcance dos eleitores com os quais eles gostariam de se comunicar. Se hoje estamos na internet estamos basicamente nas redes sociais online. Nós somos o país que mais utiliza esse tipo de coisa. Então alguns candidatos têm a possibilidade de chegarem próximos de nós. Nós temos a possibilidade de aceitar e acompanhar esses sujeitos cotidianamente. Enfim, para a sociedade civil vejo pouca desvantagem. Para as campanhas existem algumas desvantagens, em termos estratégicos de propagandas, pois quanto mais transparentes, mais suscetíveis a constrangimentos, a respostas. Então você tem uma situação de muito mais constrangimentos e a possibilidade de eles terem de se posicionar muito mais que seria se eles não tivessem acesso a esses novos meios comunicacionais.

Juraci (portal R7)- Assim como o nosso veículo de informação, o uso das tecnologias também ajuda a política a propagar informações. Apesar disso, o senhor considera que, como a maioria dos que acessam os portais online são jovens, esse público, para a política, segue essa mesma tendência, ou já é algo mais abrangente?
Camilo Aggio- Creio que seja mais abrangente. Não acredito que seja apenas jovem. Não teria uma análise quantitativa para oferecer. As pessoas que acompanham o Twitter e que desenvolvem uma conversação em torno dos temas políticos eleitorais não são apenas jovens. Essas informações se dão de uma maneira muito complexa e espalhada, e não respeita exatamente uma faixa etária restrita.

Murilo (Caros Amigos)- Os partidos políticos tem feito largo uso dessas novas tecnologias em favor das suas campanhas. Desses meios, quais seriam os mais eficazes para alcançar o público e qual vem sido a resposta do público perante as campanhas online?
Camilo Aggio- Por um longo período de tempo nós só tínhamos apenas os WEBSites, como eu tinha dito anteriormente, então nós tínhamos um grande problema, nós tínhamos que usar outros mecanismos e não apenas a internet para atrair a atenção dos eleitores.Eles teriam que entrar no GOOGLE e digitar o nome do candidato e ainda assim rezar para que nas primeiras ocorrências aparecessem seu WebSites oficial. Nós estamos entrando em uma fase aonde nós não vamos mais atrás da informação, nós nos deparamos com ela. Então sem dúvida, o meio mais eficaz para atingir o público são as redes sociais, onde se tem a possibilidade de compartilhar e de propagar de uma maneira impressionante qualquer tipo de informação política e de natureza diversa e inclusive aquelas satíricas, divertidas, cômicas. Por exemplo, eu falava de constrangimentos e de situações não planejadas e o modo como as campanhas teriam que lidar com isso. Se por um lado é muito bom, porque você se aproxima do seu público, tem a possibilidade de estabelecer uma comunicação direta. Por outro lado, você também está sujeito a constrangimentos, por exemplo, um militante ou algum eleitor simplesmente circunstancialmente engajado na campanha do José Serra, criou um headtags “Pergunte ao Serra”, que é uma proposta totalmente legítima. No entanto subestimaram o caráter, a sociabilidade extrovertida do Twitter. As pessoas fazem piadas, brincam. Então o que era para ser um ‘pergunte ao Serra’ para esclarecer dúvidas e solicitar ao Serra esclarecimentos os seus projetos de políticas públicas ou posicionamentos acabou virando uma grande piada. O “Pergunte ao Serra’’ começou a ser disseminado para a utilização de perguntas bobas para ele, como por exemplo: “Serra, par ou ímpar?”, “Serra, quanto você cobra para assombrar uma casa de 6 cômodos?”. Então, as redes sociais é o modo mais eficaz, é que nós estamos chamando de WEB 2.0 , cujo pressuposto é você criar primeiro esse laços que chamamos de redes sociais online , mas também a produção e compartilhamento de conteúdos de um modo dinâmico e efetivo que ninguém controla.


Thais ( Jornal a semana) - A internet é um veiculo cada vez mais utilizado nas campanhas políticas. Qual sua opinião sobre a utilização do Youtube nas campanhas?
Camilo Aggio - Fundamental. Primeiro porque se tem um grande problema, os candidatos não podem produzir demais, porque custa caro e a exemplo de um web site, você teria que atrair o espectador a procurar assistir aquele vídeo, então tem que haver uma predisposição daquela pessoa em querer saber de determinado candidato. Com o youtube isso é muito mais eficaz, porque basta você ter um blog e deixar o link lá para as pessoas poderem conhecer. E não apenas isso, com o barateamento de publicação com essa efetividade, no que diz respeito à quantidade de pessoas que podem assistir a esse vídeo, eles podem traçar de políticas publicas de seus posicionamentos, podem fazer sobre aliados políticos ou determinados grupos como os ambientalistas. Portanto existe uma grande diversidade no que diz respeito ao que você pode produzir a partir do formato áudio visual. Não obstante a forma como os partidos utilizam isso, há a possibilidade de se produzir, sobre determinados assuntos ligados as campanhas, e existe também essa versão extrovertida que poder pegar o que o candidato diz, e colocar em outro contexto.


Katarina -Como é feito o uso de torpedos para promover a figura de um candidato?
Camilo Aggio - Existe ainda pouco registro da utilização desses SMS. Como esse tipo de coisa foi utilizada na campanha do Obama, que é o grande ícone nessa historia? Primeiro eles faziam um evento eleitoral, um comício ou uma reunião de militantes. Os eleitores iam para ouvir o que o candidato tinha a dizer e recebiam um papel com dois números de telefone para os quais eles deveriam enviar uma determinada mensagem. Eles tinham um banco de dados, com números de pessoas que estavam indecisas quanto ao voto, e pediam a essas pessoas que se identificavam com o Obama, para enviar a mensagem para pessoas conhecidas da pessoa.
No Brasil o que acontece é que os partidos acabam mandando e se identificando até. E o nível de rejeição é enorme. Não vejo ainda uma utilização eficaz disso, nem do ponto de vista político nem democrático.

Jobeslane (Jornal à tarde)-Segundo a tendência das eleições de 2008 para presidente nos Estados Unidos, a justiça eleitoral brasileira, permitiu a propaganda política na internet. O que realmente é permitido?
Camilo Aggio -  Tudo é permitido na internet. Há apenas uma pequena restrição que diz respeito a web site que você tem que registrar no TSE, e 48 horas antes das eleições ele deve sair do ar, mas as demais redes sociais, não tem nenhum tipo de legislação, onde tudo é liberado, a não ser é claro, da questão do anonimato, da calúnia. Do candidato se sentir ofendido e assim, ter direito de resposta. A internet é vista como uma espécie de praça publica, onde os sujeitos falam o que acham que devem falar, respeitando a liberdade do outro. Apoiando quem eles quiserem apoiar. Parece-me que eles não podem pedir voto, mas na internet a liberdade é mais absoluta.

Genisvaldo (Jornal Nacional)- Quais os cuidados que se deve ter ao usar essas novas tecnologias da comunicação para divulgar suas propostas?
Camilo Aggio - A internet possibilita que os partidos e os candidatos tenham controle absoluto do tempo e do espaço que utilizam. Então se no horário político se tem um tempo restrito, no caso de Marina, que é de um minuto e pouco, isso é um tempo irrisório para você tratar de propostas, ou de pelo menos você apresentar argumentos razoáveis que sustentem suas propostas. Ela tem um espaço total e absoluto dentro do seu web site, dedicado a oferecer informações. E poderia até, colocar vídeo no youtube para pode complementar aquilo que foi dito no Horário gratuito. Uma estratégia boa para a candidata Marina seria ela ter usado 10 segundos do seu tempo na televisão e chamar o telespectador para acompanhar a continuação daquele vídeo no youtube. Devem tomar todos os cuidados possíveis, com certeza devem ter assessor que o orienta para não cometer nenhuma arbitrariedade.



E a CARICATURA?

Caricatura é um desenho de um personagem da vida real, tal como políticos e artistas. Porém, a caricatura enfatiza e exagera as características da pessoa de uma forma humorística, assim como em algumas circunstâncias acentua gestos, vícios e hábitos particulares em cada indivíduo.


                                   http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=8206


                                                           EXEMPLO DE CARICATURA: 




                                          


                                          http://kisacana.blogspot.com/2009/07/caricatura-roberto-carlos.html

O que é CHARGE?

Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas.Mais do que um simples desenho, a charge é uma crítica político-social onde o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações cotidianas através do humor e da sátira. Para entender uma charge, não é preciso ser necessariamente uma pessoa culta, basta estar por dentro do que acontece ao seu redor. 




                 Fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090825095141AAqGx72
                                                    
                                                             EXEMPLO DE CHARGE: 


Exemplo de CRÔNICA II

Tempero doce

Ele precisava mais do que um  buquê de flores para conquistá-la, João precisava impressionar. Ouviu conselhos de amigos, mas todos eram velhos e, às vezes, inúteis. Ele estava, de fato, apaixonado.
Uma semana antes do acontecimento, João encontrava-se a um ataque de nervos, pois, pelo que contavam algumas pessoas próximas a ela, Monique não era fácil. Ele acabara de sair do trabalho, quando sua cabeça deu um “click”; estava ele em frente a um restaurante francês. Pronto, já sabia como “ganhar” a moça.
Ela, uma empresária de sucesso, se atendia de objetividade, e João sabia disso. Talvez tenha sido esse o motivo de tão rápida iniciativa.
-Monique, tudo bem? – Disse ele, aflito.
- Tudo, sim... e com você? – Respondeu ela num tom nada entusiasmador.
- Queria te convidar pra jantar comigo... Sim, pois faz tanto tempo que nos conhecemos, ou melhor, não nos conhecemos... – Disse João.
- É um encontro? –  Monique, em tom intimidador.
- Desculpe, se não quiser, tud... – João, sendo interrompido por Monique.
- Aceito, sim! - objetiva como sempre, Monique respondeu.
Mal podia acreditar. Monique, aquela deusa, havia aceitado o convite. João tratou de tudo, ligou pra Monique pra confirmar o dia e local – em sua casa, e também do mais importante, o prato. Nessas horas, nada melhor que a internet pra salvar o cidadão. Ecláir de laranja. Sim, esse seria ideal – pelo menos para ele, acompanhado por um bom vinho.
No tão aguardado dia, João havia preparado tudo e estava disposto a começar com Monique uma vida nova, sem toda aquela euforia e promiscuidade de antes. A campainha soou e João rapidamente atendeu. Monique, linda como sempre, alagou os olhos de João com beleza e luxúria. Não, não com ela. Ele fora um cavalheiro, ela uma legítima dama. O bom vinho deu um toque especial à noite. Jantaram, conversaram e o inevitável aconteceu; sim, eles dormiram juntos.
Logo pela manhã, João acordou um pouco aturdido, sem encontrar acarinho e um corpo ao seu lado. Abriu os olhos, com dificuldade, e encontrou um bilhete ao lado da cama: “A noite foi ótima, mas acho melhor não nos precipitarmos. Seria interessante conhecermos outras pessoas, ver o que é melhor pra gente. Me desculpe, por favor! Beijos, Monique”.
Talvez o tempero não tenha lhe agradado. 

Juraci Santana

E a CRÔNICA?!

Crônica é uma narração, segundo a ordem temporal. O termo é atribuído, por exemplo, aos noticiários dos jornais, comentários literários ou cientificos, que preenchem periodicamente as páginas de um jornal. 

Crônica é o único gênero literário produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja nas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem.

Exemplo de EDITORIAL

A conexão necessária



O Brasil está diante de dar um salto qualitativo no seu sistema de Educação Superior, com o anteprojeto de reforma que deve ser submetido pelo governo ao Congresso Nacional ainda neste semestre.
O Ministério da Educação adotou a louvável decisão de discutir o anteprojeto com a sociedade, com o objetivo de aprimorá-lo. A CNI foi uma das primeiras instituições a se engajar nesse diálogo. Em novembro deu a público o documentoContribuição da Indústria para a Reforma da Educação Superior. Entre o final de fevereiro e o começo de março, promoveu dois fóruns inter-regionais de debates sobre o tema, em São Paulo e no Recife.
O anteprojeto traz avanços, como o foco na regionalização, com vistas a diminuir os desequilíbrios regionais na oferta da educação superior. Em outros pontos, porém, contraria dispositivos constitucionais, ao propor práticas de controle e gestão incompatíveis com a livre iniciativa, e um estreitamento do conceito de autonomia universitária. Não define diretrizes gerais, mas desce a níveis de regulamentação infralegal, como no caso do Plano de Desenvolvimento Institucional.
Além dessas e de outras distorções, peca por não tratar de temas fundamentais, destacados no documento Contribuição da Indústria para a Reforma da Educação Superior, como o desequilíbrio a favor das ciências sociais na oferta de vagas, em prejuízo das ciências exatas, engenharia e tecnologia; a ampliação do uso da Educação Superior a Distância; e o reconhecimento dos mestrados profissionais - uma demanda da sociedade e, em particular, do setor produtivo.
Mas há outro fato grave - o anteprojeto não faz nenhuma menção à pesquisa tecnológica, que materializa a interação entre a universidade e a indústria. É a tecnologia industrial, mensurada em patentes, que faz a utilização do conhecimento gerar inovação e tornar a economia mais competitiva.
Dentro das boas universidades estão disponíveis laboratórios de alto padrão, e os trabalhos científicos, para serem considerados completos, Têm de ter comprovação prática. É necessário, portanto, ampliar o número de doutores e mestres em atividade nas empresas e orientar a produção e orientar a produção da universidade para dar suporte tecnológico. No sentido inverso, é preciso criar canais institucionais para permitir que as demandas do setor empresarial cheguem às universidades.
A integração desses dois universos, porém, não pode se dar apenas sob o ponto de vista utilitário e funcional. Deve passar também por uma visão de sociedade, de políticas públicas. A falta de uma conexão clara com a Política Industrial, de Desenvolvimento Tecnológico e de Comércio Exterior, e dispositivos como a Lei de Inovação e a Lei de Biossegurança comprometem o sucesso da Reforma da Educação Superior.
Sem correlação com as ações voltadas à inovação e ao desenvolvimento do País, o anteprojeto de lei é inócuo. Por isso a interação entre a universidade e o setor produtivo será tão mais fácil quanto mais competente for o governo no estabelecimento de políticas de longo prazo, liderança e visão estratégica.


Nota do Managing Editor: Editorial de autoria de Armando Monteiro Neto foi veiculado pela revista Indústria Brasileira, publicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ano 5, número 49, 2005.

O que é EDITORIAL?

São textos de revistas ou jornais que expressam o posicionamento da empresa sobre algum assunto sem se preocupar com a imparcialidade. Não só os editoriais exprimem a opinião do veículo, mas a organização das notícias, as manchetes, as intenções que deixa transparecer ao longo do material jornalístico.